Talvez seja só cansaço. Cansaço espiritual. Cansaço em precisar aceitar as vontades dos 
outros prevalecer, sempre, sobre as minhas. Cansaço  em ter de desistir dos sonhos e dos anseios por nunca “ser boa o suficiente”. Afinal, o que significa ser boa o suficiente? Ser boa pra que? Pra quem?

Não é egoísmo querer que as coisas sejam do meu jeito. Não se for sobre os meus sonhos. Isso porque todas as pessoas deveriam ter o direito de, pelo menos uma vez na vida, ter as coisas exatamente como querem.

O egoísmo só funciona quando seus desejos interferem na vida de alguém. Os meus só chegariam a interferir o dinheiro que guardo na carteira. Não é crime querer se aventurar e se encantar de verdade com a beleza do mundo.

Se espiritualizar com a Índia, se apaixonar com a Itália, se encantar com a França, se afogar com a Indonésia, se permitir com os Estados Unidos. Ou talvez se deliciar com o pãozinho fresco e crocante com manteiga da padaria da esquina.

Porque, então, temos tanto medo e receio? Tenho quase certeza que a culpa é da comodidade. Não das estrelas, dessa vez. Às vezes a vida é tão fácil, dentro de casa com roupa lavada e cama arrumada, que desistimos de trocar essa tranquilidade pelo quase fatal caminho que nos leva a vida que sempre sonhamos. Só pelo medo do que podemos encontrar pelo caminho.

Prefiro me arrepender por fazer do que passar o resto da vida me perguntando como teria sido se eu tivesse tido coragem para me arriscar. Ao invés de passar o resto da minha vida imaginando como seria a vida perfeita ao invés de vivenciando-a. Não que a perfeição exista, mas ela é relativa.

Trocar a comodidade pelo desconhecido, assusta. E quer saber, prefiro passar o resto da vida enfrentando esses assombros do que sentada no sofá da sala. Tudo porque a esperança move montanhas. E o medo não tem permissão de interferir.


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